PodCast Expo Investimentos

Estamos divulgando o mais novo canal da Expo Investimentos ele se chama PodCast Expo Investimentos onde estaremos postando semanalmente dois PodCast, um na segunda-feira que será de abertura da semana e o outro na sexta-feira que será de fechamento da semana. Todos os PodCast serão de forma resumida todos os assuntos marcantes ou de alguma importância para o Mercado Financeiro, Bolsa de Valores, Ações, Noticias Mundiais e etc.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

O velho do Restelo e Seu Olho de Tandera



Em declaração pública recente, a presidente Dilma citou o personagem velho do restelo de Camões em Os lusíadas para identificar aqueles pessimistas convictos que ousam dizer que a economia mostra sinais claros de deterioração, quase se aproximando de processo de estagflação. Mais recentemente voltou ao tema e colocou sua posição tipo cor de rosa sobre a economia, quase ao estilo Poliana, falando de indicadores.



Em declaração pública recente, a presidente Dilma citou o personagem velho do restelo de Camões em Os lusíadas para identificar aqueles pessimistas convictos que ousam dizer que a economia mostra sinais claros de deterioração, quase se aproximando de processo de estagflação. Mais recentemente voltou ao tema e colocou sua posição tipo cor de rosa sobre a economia, quase ao estilo Poliana, falando de indicadores.
Misturando um pouco as figuras de imagem sugeridas pela presidente, diríamos que aquele velho do restelo possui também “olho de Tandera”, uma visão aguçada, quase um olhar de raios-X (bom não confundir com o grupo de Eike).
É exatamente do encontro desses dois personagens que surge a dicotomia. Estamos diante de dois Brasis. O Brasil da presidente Dilma e seu principal áulico e privilegiado ministro Mantega, e o outro Brasil, diagnosticado pelo Bacen (Banco Central do Brasil) em sua última ata do Copom. No Brasil da presidente a economia está crescendo, a inflação está controlada e dentro da meta, não existem problemas com nossas contas externas ou superávit primário e nem mesmo com a Previdência e seu enorme déficit crônico e anacrônico.
Ou seja, vamos mesmo ter que nos contentar com crescimentos pífios, ainda que maiores que o trágico “pibinho” de 2012, com inflações que fogem consistentemente da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional; além de continuarmos iludidos por contas públicas maquiadas e pela sempre lembrada dívida líquida controlada, enquanto a dívida bruta segue subindo.
No outro Brasil do mesmo governo só que com origem no Banco Central, vamos encontrar textos oficiais que lembram que a inflação segue alta, dispersa e resistente. Fora e pouco convergente para o centro da meta de 4,5%, e contando ainda com o auxílio luxuoso do câmbio para que continue elevada, apesar do refresco previsto para esse final de ano. Nesse outro Brasil econômico, o Bacen se preocupa com o balanço do setor público expansionista que aumenta gastos, que promove desonerações pontuais de efeitos duvidosos e não consegue cortar gastos de custeio com a eficiência e rapidez requerida que a urgência do momento exige.
De outra feita, não consegue nem mesmo investir o que está orçado e, novamente, vamos ter que nos contentar com investimentos em relação ao PIB inferiores a 20%, o que é muito pouco para um país que deveria estar tentando crescer com taxas consistentemente superiores a 4% ao ano. Convém lembrar que a própria ata do Copom mostrou que a inflação alta produz distorções e deprime os investimentos. Indo além, admite que houve piora das expectativas dos agentes econômicos sobre os preços.  Acrescenta que há informações de que os preços industriais começam a ser reajustados por causa da alta do dólar. Por fim, o Banco Central deixa patente que sozinho não terá capacidade de controlar a inflação. Precisa que o governo execute sua cota de sacrifício nesse processo.
Pois bem, estamos realmente diante de dois Brasis, só que o pessimista do restelo enxerga longe. Já que a presidente citou esse personagem de Camões, nada mais justo que fecharmos esse texto lembrando uma passagem do próprio Camões:

"Prometeis, e não cumpris?
Pois sem cumprir, tudo é nada.
Não sois bem aconselhada;
que quem promete, se mente,
o que perde não o sente." 
Fonte: InfoMoney 

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